quinta-feira, 7 de julho de 2011

Importância da Raiz

As raízes eram, tradicionalmente, utilizadas como remédio e não como alimento. A função medicinal era a única atribuída pelos gregos e romanos ao aipo, esta delicia crocante que hoje em dia nos refresca os pratos mais sofisticados. O gengibre era usado pelos marinheiros chineses como alívio de enjoos marítimos; atualmente, as propriedades medicinais do gengibre estão comprovadas e a raiz continua sendo utilizada em casos de enjoos e problemas digestivos.

Em gargarejos, é eficaz no tratamento de inflamações de garganta e como chá terapêutico contra gripes acalma a tosse e abaixa a febre. O nabo japonês, iguaria levemente picante que recentemente aprendemos a apreciar, tem apenas 20 calorias por cada xícara; esta quantidade nos fornece 36% da necessidade diária de vitamina C, além de facilitar a digestão e o aproveitamento de gorduras. O nabo redondo, seu parente próximo e mais conhecido, cujo sabor até hoje desprezamos, pertence à família das crucíferas e é importante na prevenção do câncer, além de ser, como comprovamos em nossa receita de hoje, delicioso e leve.



Fugindo à regra básica do gosto exótico e aparência duvidosa, duas raízes nossas conhecidas se destacam por seu sabor docinho e suas cores vibrantes, tudo isto sem deixar de lado as propriedades medicinais. O laranja forte da cenoura denuncia seu alto teor de Betacaroteno, transformado pelo organismo em vitamina A - que ajuda a combater infecções e mantém a saúde da pele e dos cabelos.

Uma única cenoura fornece 220% de nossa necessidade diária de vitamina A! O vermelho vivo da beterraba nos fala de seu teor de ferro, somado ao potássio, ao magnésio e à fibra que enriquecem o valor nutricional desta raiz, essencial para o bom funcionamento do fígado e regeneração de suas células.
Algumas raízes são comestíveis, como a cenoura, o ginseng, o nabo o rabanete a mandioca e a beterraba. Estas raízes não devem ser confundidas com tubérculos como a batata, nem bulbos como a cebola, pois estes são caules subterrâneos, e não raízes.
Algumas raízes são consideradas medicinais (como o próprio ginseng). Um grupo brasileiro chegou a pesquisar, em 1979, os efeitos anticancerígenos das raízes de Ternstroemia brasiliensis, uma Theaceae.
As raízes, como por ex. mandioca, cenoura e mandioquinha, etc. são ricas em vitaminas e minerais, além de conter fibras que favorecem o bom funcionamento do nosso organismo. É essencial introduzi-las em nosso cardápio para obtermos os diversos micronutrientes que são necessários para diversas funções que nosso organismo exerce, como coagulação sanguínea, transporte de substâncias pelo sistema circulatório, contração muscular, transito intestinal, fortalecimento ósseo e etc. Por isso são fundamentais para a nosso saúde. E a indústria tem utilizado essas e outras raízes com frequência para preparar diversos produtos. Um exemplo são as pastas de raízes vendidas no mercado, raiz forte, etc.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

6. Importância do Caule para o Ecossistema.

O caule é a parte da planta que é responsável pela sustentação das folhas, esta são essenciais para o desenvolvimento das plantas, e conseqüentemente o desenvolvimento dos outros seres que consomem plantas (Herbívoros).
O caule das árvores é o Habitat de diversas espécies de organismos vivos como líquens, fungos etc. Além disso, o caule é composto de materiais orgânicos, após a morte da planta este servirá de fertilizante para outras plantas, e ao serem degradadas são consumidas por microorganismos.

5. Partes do Caule

caule consta, principalmente de: nós, entre-nós ou meritalos, gemas.

NÓS
Os nós são pequenas elevações no caule, onde se inserem os órgãos apendiculares, tais como as folhas, as estípulas, as brácteas, as escamas, as gavinhas foliares, etc.
Com o desprendimento da folha ou dos demais órgãos apendiculares, resulta no caule, uma cicatriz cuja forma vai depender da base do órgão que se destacou. No colmo das gramíneas e bem assim em outras plantas, o nó envolve o caule, á guiza de anel.

ENTRE-NÓS
Os entre-nós são os intervalos entre dois nós sucessivos. Ao longo do caule, o comprimento dos entre-nós é constante, entretanto, na região do crescimento, próxima á extremidade, os intervalos diminuem, progressivamente, de tamanho na direção apical.

GEMAS
As gemas, também chamadas botões, são um esboço de órgão vegetal, susceptível de evoluir de forma e que dá origem ou a um ramo dotado de folhas ou a uma flor. A própria flor não passa de um ramo rudimentar provido de folhas modificadas de órgãos reprodutores, que podem ser acompanhados ou não de órgãos protetores.



4. Classificação dos Caules

Os caules são bem variados e por isso foram classificados em três tipos, de acordo com o meio em que vivem: aéreos, subterrâneos e aquáticos.


4.1. QUANTO AO HABITAT:

CAULES AÉREOS
São os mais comuns de todos e se desenvolvem ao o ar livre. Podem ser eretos, rastejantes ou trepadores.
Os caules eretos são aqueles que cressem acima do solo, na vertical para cima. Divide-se em seis tipos: tronco, haste, estipe, colmo, cladódio e filocládio.

Tronco:
 mais ou menos cilíndrico, resistente e ramificado. Pode atingir grandes alturas. Exemplos: mangueira, abacateiro, laranjeira, etc..
Haste: pequeno, pouco resistente. Exemplos: caule da couve, do feijão, etc..
Estipe: é cilíndrico e sem ramificações. Exemplo: caule da palmeira.
Colmo: é cilíndrico. Podem ser oco (exemplo: bambu) ou cheios (exemplo: cana de açúcar)
Caules rastejantes são os que se desenvolvem espalhando-se pele solo, onde se fixam por meio de raízes. Exemplos: morangueiro, aboboreira etc.
Caules trepadores são aqueles que cressem fixando-se em suportes, como estacas, cercas e muros. A fixação pode ser através do enroscamento do caule em torno do suporte (caules volúveis) ou através de elementos de fixação (caules sarmentosos).

Sarmentosos: apresentam elementos de fixação como, por exemplo, as raízes adventícias. Exemplos: ervilha, feijão etc.

CAULES SUBTERRÂNEOS

O caule subterrâneo desenvolve-se de baixo da terra. Podem ser de três tipos: rizomas, tubérculos e bulbos.
Os rizomas crescem junto à superfície da terra, emitindo ramos de folhas de espaço em espaço. Exemplos: banana, samambaia, etc.
Os tubérculos são usados como alimento. Acumulam nutrientes, caracterizasse por serem em geral muito grossos. A batata inglesa é um exemplo desse tipo de caule. Exemplo: batatinha.
Os bulbos são órgãos formados por raízes, caules e folhas. Alguns bulbos como o alho e a cebola, são usados na alimentação. Exemplo: cebola.




CAULES AQUÁTICOS
São capazes de absorver a água através da epiderme.


OBS:
Alguns caules apresentam modificações a fim de se adaptarem a uma determinada circunstância. Entre os tipos de caules estão: gavinhas, espinhos e cladódios.
Gavinhas são ramos modificados para a fixação. Ex.: videira.
Espinhos são ramos endurecidos e pontiagudos. Ex.: laranjeira. Os espinhos estão fortemente ligados ao caule, ao contrário dos acúleos que são facilmente destacáveis. Ex.: roseira.
Claudódios são caules compridos que assumem a função e o aspecto da folhas quando estas faltam. Ex.: figo-da-índia.

4.2. QUANTO À CONSISTÊNCIA:
Os caules podem ser classificados em:
HERBÁCEOS
Caules tenros, geralmente clorofilados, flexíveis, não lignificados, característico das ervas. Exemplo: moréia (Dietes bicolor - Iridaceae).
SUBLENHOSOS
Caules lignificados apenas na região basal, mais velha, junto às raízes e tenros no ápice. Ocorrem em muitos subarbustos. Exemplo: coroa-decristo (Euphorbia milii - Euphorbiaceae).


LENHOSOS
Caules intensamente lignificados, rígidos, geralmente de grande porte e com um considerável aumento em diâmetro, como por exemplo, os troncos das árvores. Exemplo: mogno (Swietenia macrophylla - Meliaceae).

4.3. QUANTO AO DESENVOLVIMENTO:


ERVAS
Plantas, geralmente, pouco desenvolvidas, de consistência herbácea, tenra devido à ausência de crescimento secundário. Exemplo: amor-perfeito (Viola wittrockiana - Violaceae).
SUBARBUSTOS
Plantas que alcançam aproximadamente 1,5m de altura, cujos ramos são sublenhosos. Exemplo: arnica (Arnica chamissonis - Asteraceae).
ARBUSTO
Plantas de altura média inferior a 5m, resistentes, com ramos lenhosos sem um tronco predominante, porque o caule ramifica-se a partir da base. Exemplo: ixora (Ixora undulata - Rubiaceae).
ÁRVORE
Plantas de altura superior a 5m, geralmente com um tronco nítido que apresenta crescimento secundário sendo que a parte ereta constitui a haste e a ramificada constitui a copa. Exemplo: pinheirodourado (Chamaecyparis obtusa - Cupressaceae).
ARVORETA
Árvore de pequeno porte, ou com tronco principal muito curto. Exemplo: pêssego-do-mato (Hexachlamys edulis - Myrtaceae).

4.4. QUANTO A RAMIFICAÇÃO:

A morfologia do sistema caulinar é amplamente determinada pelo tipo de ramificação apresentada.
Os principais tipos de ramificação são:

SISTEMA MONOPODIAL


Sistema monopodial

Onde o crescimento do caule se dá pela atividade de uma única gema apical, que persiste por toda a vida da planta.
Neste sistema, o eixo caulinar primário formado por tecidos derivados de uma única gema apical, é mais desenvolvido que os demais e cresce verticalmente, enquanto, os ramos laterais têm crescimento oblíquo e são menos desenvolvidos, como se vê na maioria dos pinheiros (Araucaria angustifólia - Araucariaceae).

SISTEMA SIMPODIAL

Onde várias gemas participam da formação de cada eixo. Isto acontece porque a gema apical cessa a sua atividade, sendo logo substituída por uma gema lateral, que passa a atuar como principal, e assim por diante, ou porque o eixo principal perde a sua dominância sobre os ramos laterais. Deste modo, o eixo principal é formado por tecidos originados das diversas gemas que se substituem gradativamente. As árvores, de uma maneira geral, apresentam o sistema caulinar do tipo simpodial.






Sistema monopodial
O caule pode ser classificado de diferentes maneiras, dependendo da característica analisada.

3. Estrutura do Caule.

O caule apresenta uma diversidade de estruturas maior que as raízes, sendo necessário considerar as estruturas primárias e secundárias de dicotiledóneas e a estrutura característica das monocotiledóneas.
Na estrutura geral de um caule pode notar-se que o córtex é mais estreito que na raiz e que a endoderme e o periciclo não se encontram diferenciados.
Estes fatos estão de acordo com a função das estruturas: o caule é mais uma estrutura de suporte e não de armazenamento, pelo que um córtex parenquimatoso não será necessário e a endoderme/periciclo servem de barreira á passagem de substâncias absorvidas, o que, novamente, não acontece a este nível.
O córtex do caule pode, no entanto, ser fotossintético, com células parenquimatosas dispostas soltamente. Pode igualmente armazenar água, como nos cactos, ou amido, uma situação menos comum.
É comum encontrar colênquima e esclerênquima, como tecidos de suporte.

3.1. ESTRUTURAS PRIMÁRIAS


Estrutura primária do Caule

Na estrutura primária do caule de uma dicotiledónea podem-se encontrar os seguintes tecidos, de fora para dentro:
  • Epiderme
  • Parênquima cortical
  • Floema
  • Xilema
O floema e o xilema estão dispostos em feixes duplos e colaterais, sendo o protoxilema centripto. Os feixes são sempre em numero reduzido, geralmente entre dois e 4.
Quando, nas dicotiledóneas, a estrutura se prepara para crescer em largura, surge o câmbio vascular entre o floema e o xilema, tornando os feixes abertos.
O caule das monocotiledóneas, que terá sempre uma estrutura primária devido à ausência de meristemas secundários, distingue-se por dois aspectos principais: os feixes vasculares encontram-se dispersos e não organizados num cilindro central ou medula, não podendo ser encontrada uma delimitação nítida entre o córtex e a medula; todos os tecidos são primários.


FORMA USUAL DE CRESCIMENTO Primário


Existem consideráveis variações na estrutura primária dos caules das fanerógamas, mas podem ser reconhecidos três tipos básicos de organização:

3.1.1
 Em algumas coníferas e dicotiledôneas, as células estreitas e alongadas do procâmbio - e, os tecidos vasculares primários que se desenvolvem a partir delas - aparecem sob a forma de um cilindro fundamental ou parenquimatoso. A região externa de tecido fundamental é denominada córtex, e a região interna, medula.

3.1.2
 Em outras coníferas e dicotiledôneas, os tecidos vasculares primários desenvolvem-se sob a forma de um cilindro composto de cordões interconectados, separados por tecido fundamental. O parênquima, que separa os cordões ou séries de procâmbio e, mais tarde os feixes vasculares maduros continua-se com o córtex e a medula, sendo denominado parênquima interfascicular. As regiões interfasciculares são freqüentemente denominadas raios medulares.

3.1.3
 Nos caules da maioria das monocotiledôneas e de algumas dicotiledôneas herbáceas, a disposição dos cordões de procâmbio e dos feixes vasculares se mostra mais complexa. Os tecidos vasculares não aparecem sob a forma de um único anel de feixes entre o córtex e a medula, mas se desenvolvem comumente sob a forma de mais de um anel ou de um sistema anastomosado (interligado e ramificado) de feixes espalhados através do tecido fundamental, o que, muitas vezes não pode ser diferenciado em córtex, e medula.

3.2. ESTRUTURA SECUNDÁRIA


Estrutura secundária do Caule
À medida que o caule cresce e envelhece, forma-se na zona dos raios medulares o prolongamento do câmbio vascular, que já se encontrava entre o floema e o xilema.
Deste modo, o meristema secundário vai formar um anel completo, originando floema secundário para fora e xilema secundário para dentro.
Entretanto, e em resposta á pressão devida ao crescimento da zona medular, diferencia-se na zona cortical o câmbio suberofelogénico.
Este meristema secundário irá formar, para fora, súber e para dentro feloderme (parênquima secundário). Este conjunto toma o nome de periderme.
Esta enorme pressão de crescimento leva a que apenas exista um fino anel de floema, logo abaixo da periderme, enquanto os sucessivos anéis mortos de xilema (apenas os dois ou três últimos anéis transportam água) permanecem na medula.

FORMA USUAL DE CRESCIMENTO SECUNDÁRIO

Quando o câmbio vascular entra em atividade produz, por divisões periclinais de suas células, xilema secundário para o interior do caule e floema secundário para a periferia. E através de divisões anticlinais aumenta o seu diâmetro, acompanhando o crescimento em espessura do órgão.
Os detalhes da origem e da atividade cambial são bastante variados, no entanto, três padrões mais comuns de desenvolvimento de estrutura secundária podem ser reconhecidos:

3.2.1.
 O tecido vascular primário forma um cilindro vascular quase contínuo nos entrenós, com o parênquima interfascicular formando faixas muito estreitas. Assim, com a formação do câmbio e dos tecidos vasculares secundários, estes também aparecem, como um cilindro contínuo, com raios parenquimáticos pouco desenvolvidos. Ex.:  Nicotiana sp (fumo) e Hibiscus sp.

3.2.2.
 Nas Coníferas e em Ricinus sp (mamona), o tecido vascular primário forma um sistema de feixes bem separados pelo parênquima interfascicular. Mas após a formação do câmbio vascular e o desenvolvimento dos tecidos vasculares secundários, estes também aparecem como um cilindro contínuo, com uma maior produção de células de condução e de sustentação, do que de raios parenquimáticos.

3.2.3.
 Em algumas espécies trepadeiras como Aristolochia sp (papo-de-perú) e Vitis sp (videira), o tecido vascular primário se apresenta como um sistema de feixes bem separados pelo parênquima interfascicular. Com a instalação do câmbio, a porção interfascicular, desse meristema produz apenas raios parenquimáticos. Desta maneira, os tecidos vasculares secundários também aparecem como feixes separados por largos raios parenquimáticos.

3.2.4.
 Algumas dicotiledôneas podem apresentam ainda, crescimento secundário reduzido, com o câmbio limitando-se apenas aos feixes vasculares, como acontece entre as espécies da família cucurbitácea (Cucurbita pepo – abóbora), por exemplo.
A adição de novos tecidos vasculares provoca o aumento do diâmetro do caule, criando uma grande tensão no interior do órgão, principalmente, para os tecidos localizados externamente ao câmbio. Assim, o floema vai sendo deslocado para fora, sendo esmagado e deixando de ser funcional.

A epiderme é substituída pela periderme, tecido secundário que se forma a partir do felogênio. A origem do felogênio no caule é muito variada, mas geralmente forma-se a partir de camadas subepidérmicas, tanto do parênquima como do colênquima. Eventualmente, a epiderme e mais raramente camadas profundas do parênquima cortical, próximas da região vascular, ou até mesmo células do floema, podem dividir-se para dar origem ao felogênio.
Durante o crescimento secundário, o parênquima cortical primário pode permanecer por um certo período, se o felogênio for de origem superficial, ou pode ser completamente eliminado, quando o felogênio forma-se a partir de camadas mais profundas do córtex. No entanto, tanto no caule, como na raiz em estrutura secundária, frequentemente, o parênquima cortical que estava presente na estrutura primária, não é mais observado.


2. Estrutura Primária

O caule, tal qual a raiz, é constituído pelos três sistemas de tecidos: o sistema dérmico, o sistema fundamental e o sistema vascular.
A variação observada na estrutura primária do caule das diferentes espécies e nos grandes grupos vegetais está relacionada principalmente, com a distribuição relativa do tecido fundamental e dos tecidos vasculares.

Nas coníferas e dicotiledôneas, o sistema vascular, geralmente, aparece como um cilindro oco, delimitando uma região interna a medula, e uma região externa, o córtex. Nas monocotiledôneas, o arranjo mais comum é os feixes vasculares apresentarem uma distribuição caótica por todo o
 caule.
Esquema do caule mostrando a posição dos meristemas primários e os tecidos primários deles derivados


2.1 EPIDERME
A epiderme caulinar, derivada da protoderme, geralmente é unisseriada, formada de células de paredes cutinizadas e revestida pela cutícula. Nas monocotiledôneas, que não apresentam crescimento secundário, as células da epiderme podem desenvolver paredes secundárias, lignificadas.
Nas regiões jovens do vegetal a epiderme do caule possui estômatos, mas em menor número que o observado nas folhas, podendo ainda apresentar tricomas tectores e glandulares.
A epiderme é um tecido vivo e pode, eventualmente, apresentar atividade mitótica, uma característica importante, tendo em vista as pressões às quais o caule vai sendo submetido durante o seu crescimento primário ou secundário. Assim a epiderme responde a essas pressões, com divisões anticlinais de suas células, o que leva à distensão tangencial do tecido, principalmente, naquelas espécies que formam periderme apenas tardiamente.
2.2. CÓRTEX
O córtex do caule em estrutura primária, geralmente, apresenta parênquima clorofilado. Na periferia, frequentemente, apresenta colênquima como tecido de sustentação, que pode aparecer em camadas mais ou menos contínuas ou em cordões, nas arestas ou saliências do órgão. Em algumas plantas, especialmente entre as gramíneas é o esclerênquima que se desenvolve como tecido de sustentação sob a epiderme.
A camada interna do córtex é a endoderme, como na raiz. No entanto, no caule, a delimitação entre o córtex e o cilindro vascular não é tão facilmente visualizada, uma vez que nem sempre, a endoderme caulinar apresenta-se morfologicamente diferenciada.
Nos caules jovens de algumas espécies herbáceas, como por exemplo, em Ricinus sp (mamona), as células da camada cortical interna podem acumular amido em abundância, sendo então reconhecidas como bainha amilífera. Algumas dicotiledôneas, entretanto, desenvolvem estrias de Caspary, na endoderme caulinar, como o visto na raiz, e em outras espécies, além das estrias nas paredes, verifica-se amido no interior dessas células. Quando a endoderme não apresenta, nenhuma característica especial (amido ou espessamentos de parede) a delimitação entre o córtex e o cilindro vascular fica mais difícil, ou mesmo, impossível de ser feita. Mesmo nesses casos, no entanto, existe sempre um limite fisiológico entre o córtex e o sistema vascular, estando ou não, este limite associado à uma especialização morfológica

2.3. MEDULA

A porção interna do caule – medula, comumente, é parenquimática. Em algumas espécies, a região central da medula vai sendo destruída durante o crescimento, constituindo os chamados caules fistulosos. Quando isto acontece, esta destruição limita-se apenas aos entrenós do caule, enquanto, os nós conservam a medula formando os diafragmas nodais.
Tanto o parênquima medular, quanto o cortical apresentam espaços intercelulares. Esse parênquima pode apresentar vários ibioblastos, especialmente células contendo cristais ou outras substâncias ergásticas, além de esclereídes. Se a espécie apresenta laticíferos, (estruturas secretoras de látex) eles podem estar presentes tanto no córtex como na medula.

2.4. SISTEMA VASCULAR

O periciclo é a região externa do cilindro vascular, e pode ser constituído de uma ou mais camadas de parênquima.
No caule, o periciclo nem sempre é facilmente visualizado, como na raiz, no entanto, ele sempre está presente logo abaixo da endoderme.
Os tecidos vasculares do caule, ao contrário do observado nas raízes, formam unidades denominadas feixes vasculares. O sistema vascular, geralmente, aparece como um cilindro oco entre o córtex e a medula, podendo, no entanto, assumir padrões mais complexos. Em algumas espécies, os feixes vasculares aparecem bem próximos um dos outros e o cilindro vascular aparece contínuo, mas, freqüentemente, são constituídos de feixes separados uns dos outros pelo parênquima interfascicular, os denominados raios medulares.
A posição ocupada pelo xilema e pelo floema nos feixes vasculares também é bastante variada, mas o tipo mais comum de feixe é o denominado colateral, com floema voltado para a periferia do órgão e o xilema para o centro. Em muitas famílias de dicotiledôneas, como por exemplo, entre as Cucurbitaceae (Cucurbita pepo - abóbora), o floema aparece tanto externamente, como internamente ao xilema, esses feixes contendo floema dos dois lados do xilema são denominados bicolaterais.
Os feixes onde um dos tecidos vasculares envolve o outro completamente são denominados concêntricos. Quando o floema envolve o xilema, o feixe é dito anficrival, este tipo é comum entre as pteridófitas; sendo considerado um tipo bastante primitivo. Quando o xilema que aparece envolvendo o floema, o feixe é denominado anfivasal. Os feixes anfivasais são comuns entre as monocotiledôneas. Este último é considerado um tipo derivado de feixe vascular. Entre algumas espécies de Eriocaulaceae (monocotiledônea) podemos encontrar ainda, os chamados feixes vasculares biconcêntricos com dois anéis de xilema aparecem separados pelo floema.
Como já foi dito anteriormente a ausência de uma endoderme, morfologicamente diferenciada, pode dificultar uma delimitação precisa entre o córtex e o cilindro vascular. No entanto, a presença de fibras de floema ou de fibras perivasculares serve para auxiliar nesta delimitação.

2.4.1. DIFERENCIAÇÃO VASCULAR PRIMÁRIA

Assim que o procâmbio se diferencia entre as derivadas do meristema apical, ele assume o esboço do futuro sistema vascular do caule, que se desenvolverá a partir dele.
No caule o protoxilema é dito endarco, com o protoxilema interno e a sua maturação é centrífuga, isto é, acontece do centro para a periferia. A diferenciação do floema se dá como na raiz, ou seja, é centrípeta, com o protoxilema periférico e metaxilema mais próximo do centro do órgão. A posição do protoxilema é, um dos elementos mais importantes para separar uma estrutura caulinar de outra radicular. A diferenciação do xilema primário no caule é oposta à observada na raiz. Isto é, no caule os primeiros elementos de protoxilema diferenciam-se internamente (próximos da medual) e os elementos do metaxilema, formam-se mais distantes do centro.

Esquema mostrando a saída de um traço de folha, de um traço de ramo e de suas respectivas lacunas.

2.5. TRAÇOS E LACUNAS FOLIARES

O caule e as folhas são estruturas contínuas. Assim, para se entender melhor o sistema vascular do caule, torna-se necessário estudá-lo levando-se em conta, sua conexão com o sistema vascular das folhas, que acontece na região dos nós, onde um ou mais feixes caulinares divergem para as folhas.
Os feixes vasculares vistos no córtex do caule, geralmente, são traços foliares. Na axila das folhas desenvolvem-se as gemas laterais, que darão origem aos ramos caulinares. O feixe vascular que faz conexão entre o eixo principal e a gema do ramo, chama-se traço de ramo.

O feixe vascular que se estende da base da folha, até unir-se a outro feixe no caule é denominado traço foliar. Assim, um traço foliar pode ser definido como a porção caulinar do suprimento vascular da folha. A porção foliar deste feixe, inicia-se somente na base do pecíolo e estende-se para o interior da lâmina foliar, onde ramifica-se intensamente.


O Caule

O caule serve de suporte mecânico para as folhas e para as estruturas de reprodução do vegetal, sendo também responsável pela condução de água e sais das raízes para as partes aéreas e das substâncias aí produzidas, para as demais regiões da planta, estabelecendo assim, a conexão entre todos os órgãos do vegetal. Além dessas funções básicas, alguns caules acumulam reservas ou água ou atuam como estruturas de propagação vegetativa.

O
 caule origina-se do epicótilo do embrião. O embrião totalmente desenvolvido consiste de um eixo hipocótilo-radicular, que apresenta em sua porção superior um ou mais cotilédones e um primórdio de gema. Esse primórdio de gema pode ser um grupo de células indiferenciadas, ou apresentar-se mais diferenciado, com uma porção caulinar, o epicótilo, formando um pequeno eixo, nós e entrenós curtos, portando um ou mais primórdios de folhas. Todo esse conjunto é denominado plúmula.
Durante a germinação da semente, o meristema apical continua o seu desenvolvimento, promovendo o crescimento do eixo caulinar e a adição de novas folhas. Nas plantas que apresentam o caule ramificado, são formadas as gemas axilares que posteriormente, desenvolvem-se em ramos laterais.